Salvando vidas

astec-25-nov-2016-005

Fonte: www.tribunapr.com.br/cacadores-de-noticias/curitiba/salvando-vidas-2/

 

O medo de agulhas, trauma que veio da infância, fez com que o engenheiro eletricista Valdir Gemelli esperasse décadas para fazer a primeira doação de sangue. “O sentimento de ajudar o próximo foi o que me motivou a vir. Apesar do medo, que me acompanhava desde pequeno, vi que isso não é nenhum bicho de sete cabeças. É tranquilo e não dói. Agora vou passar minha experiência adiante e tentar incentivar a doação. Vou conversar com meus familiares”, explica.

Na mesma sala do Hemepar, a bancária aposentada Eloíse Vieira realizava na tarde de ontem uma das três doações que costuma fazer ao ano. “Acredito que é um ato de amor e humanidade, porque sempre as pessoas precisam e algumas vezes morrem por falta de doador”. Eloíse faz questão de que as filhas e o genro façam o mesmo. “Às pessoas que me perguntam, eu incentivo. A gente não perde nem meia hora e sai daqui sabendo que ajudou alguém”, relata.

Já o estudante Hugo Cassiano teve o exemplo dos pais, que são doadores há anos. “Demorei um pouco para vir, também com receio e tudo mais, mas percebi que não dói, não incomoda e, se com uma doação a gente pode salvar até quatro vidas, eu vou fazer disso uma prática”, garante.

No Hemepar, um dos principais postos de coleta de sangue em Curitiba, os estoques estão baixos. Nesta semana, a demanda maior é pelos sangues do tipo O+, O-, A+ e A-.

Você sabia?

Não há substituto para o sangue, que pode ser utilizado para diversas finalidades, como tratamento de pessoas com doenças crônicas (talassemia e doença falciforme), alguns tipos de câncer, transplante, cirurgias eletivas de grande porte, acidentes ou outras situações que necessitam de transfusão.

Estoques no vermelho

Valdir está doando sangue pela primeira vez. Foto: Antônio More

Valdir está doando sangue pela primeira vez. Foto: Antônio More

“Nossos estoques estão baixos, pois atendemos toda a rede SUS de todo o Paraná, não só Curitiba. Por isso, sempre precisamos de doadores. Gostaríamos também de fidelizar os doadores, para que essas pessoas venham sempre que possível”, explica a administradora do Hemepar, Juliana de Castro.

Para aumentar a fidelização, o Centro de Hematologia e Hemoterapia do Paraná lança nesta sexta-feira uma campanha em vídeo na internet para chamar a atenção do público doador ou do público que pode se tornar doador. Hoje também é comemorado o Dia Nacional do Doador Voluntário de Sangue.

Já no Hemobanco, outro importante banco de sangue de Curitiba, a situação é diferente nesta semana, devido às campanhas. Apesar de estar com os estoques em níveis satisfatórios, o Hemobanco aceita todos os tipos de sangue. O mais necessário é do tipo O-.

DOAÇÕES EM NÚMEROS

Pais de Hugo também são doadores de sangue. Foto: Antônio More

Pais de Hugo também são doadores de sangue. Foto: Antônio More

1,8%
da população brasileira doa sangue. OMS recomenda mais de 1%, mas Ministério de Saúde quer ampliar.

1 milhão
de brasileiros doaram sangue pela primeira vez em 2015, o que representa 38% do total das doações.

1,6 milhão
de pessoas retornaram para doar sangue no ano passado, segundo informações do Ministério da Saúde.

3,7 milhões
de coletas de bolsa de sangue foram realizadas em 2015 no País, resultando em 3,3 milhões de transfusões.

COMO DOAR SANGUE?

Eloíse consegui convencer as filhas e o genro a também doar sangue. Foto: Antônio More

Eloíse consegui convencer as filhas e o genro a também doar sangue. Foto: Antônio More

Requisitos básicos:

  1.  Estar em boas condições de saúde.
  2.  Ter entre 16 e 69 anos, desde que a primeira doação tenha sido feita até 60 anos (menores de 18 anos precisam estar acompanhados dos pais ou responsáveis ou portar autorização)
  3.  Pesar no mínimo 50 kg.
  4.  Estar descansado (ter dormido pelo menos 6 horas nas últimas 24 horas).
  5.  Estar alimentado (evitar alimentação gordurosa nas 4 horas que antecedem a doação).
  6.  Apresentar documento original com foto recente, que permita a identificação do candidato, emitido por órgão oficial

Impedimentos temporários:

  1.  Resfriado: aguardar 7 dias após desaparecimento dos sintomas.
  2.  Gravidez
  3.  90 dias após parto normal e 180 dias após cesariana.
  4.  Amamentação (se o parto ocorreu há menos de 12 meses).
  5.  Ingestão de bebida alcoólica nas 12 horas que antecedem a doação.
  6.  Tatuagem/maquiagem definitiva nos últimos 12 meses.
  7.  Situações nas quais há maior risco de adquirir doenças sexualmente transmissíveis: aguardar 12 meses.

Impedimentos definitivos:

  1. Hepatite após os 11 anos de idade.
  2. Evidência clínica ou laboratorial das seguintes doenças infecciosas transmissíveis pelo sangue: Hepatites B e C, AIDS (vírus HIV), doenças associadas aos vírus HTLV I e II e Doença de Chagas.
  3. Uso de drogas ilícitas injetáveis.
  4. Malária.

Onde?

Hemepar
Travessa João Prosdócimo, 145 ­ Alto da XV – (41) 3281-4000 2ª a 6ª feira – 7h30 às 18h30 Sábados – 8h às 18h

Hemobanco
Rua Capitão Souza Franco, 290 ­ Bigorrilho ­ (41) 3023-5545 Horário – 2ª a sábado – 8h às 13h30